christine de pizan

Lola de Llobet- christine de pizan (vida y obra)

pizan e hobbes

lemarchand- la ciudad de las damas

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filosofia feminista

capa do livroestou lendo no momento um livro bem bacana de uma filósofa chamada alison stone que leciona na universidade de lancaster. o  livro se chama an introduction to feminist philosophy e foi publicado pela polity press. já tinha lido, no ano passado, outro livro dessa mesma autora, o luce irigaray and the philosophy of sexual difference. a autora tem um estilo bem gostoso de ler e trabalha com autoras que eu gosto bastante, neste livro sobre irigaray ela faz um embate entre ela e judith butler muito bacana.

algumas coisas são bem interessantes nessa introdução a filosofia feminista:
1- ela pretende que o livro seja usado por estudantes querendo se iniciar no assunto, mas também por especialistas. e de fato, sua linguagem é acessível, didática e a autora tem um cuidado em explicar bem os argumentos e colocá-los a prova ao mesmo tempo a leitura não é massante para quem está inteirada da discussão, com uma minúcia e atenção peculiar às questões ela não apenas explora cantinhos esquecidos, mas não tem medo de fazer o exercício de colocar em questão certezas sedimentadas por um montão de teorias. em resumo: é uma leitura estimulante e acessível sem ser basicona demais.

2- ela  propõe uma definição lindona para filosofia feminista como uma sub-disciplina dentro da filosofia. uma sub-disciplina que possui 3 aspectos centrais:
- investigar como os preconceitos sobre mulheres são incorporados na filosofia passada e presente;
- se apoiar em teorias e conceitos filosóficos para articular afirmações e posições políticas feministas, usando argumentos filosóficos para estabelecer que afirmações e posições são mais coerentes e fortes;
- introduzir na filosofia uma série de novos conceitos e temáticas que nenhum outro campo da filosofia propôs ou abrange. alguns desses conceitos, os que serão mais importantes no livro e receberão cada um um capítulo próprio, são: sexo e gênero, sexualidade, diferença sexual, essencialismo (que aparece em outros campos, porém de forma diferente) e nascimento.

eu fiquei super animada, porque por um tempo fiquei quebrando a cabeça sobre qual a relação possível entre filosofia e feminismos; a filosofia, que numa pegada antiga, talvez platônica, talvez cartesiana, se pretende desencarnada e o feminismo que só pode ser uma teoria da carne. e ai? o feminismo apareceria como uma crítica à filosofia? como uma revisão? como um fazer metafilosófico? como um fazer completamente alheio à filosofia? usaria a filosofia apenas como fonte de conceitos e argumentos aplicáveis as questões que lhes concernem? ou a produção teórica feminista pode de fato ser entendida como filosófica?

a resposta de stone, muito satisfatória para mim, parece ser: tudo-isso-ao-mesmo-tempo-agora.

dá pra ler a introdução do livro no site da universidade de lancaster

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triscando de leve

os feminismos triscam a filosofia.
se encontram, se esbarram…
os feminismos tomam de assalto conceitos filosóficos. usam e abusam deles, fielmente (tendo o cuidado de polí-los e fazê-los brilhar) ou do jeito que bem entendem, como se quisessem timidamente transforma-los em seus. também tomam de assalto as grandes questões dos filósofos e com isso questionam as pressuposições de universalidade ou as generalizações a cerca do que é a natureza do homem (toscamente tido como sinônimo de humanidade, num joguinho que toma por geral o específico). [mas também do que são os homens, do que é natural, do que é construído, dos limites entre essas duas coisas, do que são mulheres, de como nos tornamos mulheres, do que conta como humano, de quem pode falar pela humanidade, blá]

por isso os feminismos riscam a filosofia.

não só porque temos pilhas e mais pilhas de pasta solidificada de ex-árvores cobertas de tinta tóxica explorando críticas devidamente encorporadas a uma filosofia descarnada [temos (somos?) corpo e o corpo importa. mesmo quando queremos escondê-lo ou esquecê-lo o corpo aparece. nossas vontades, desejos, tendências, paixões também aparecem. e a filosofia que emerge vem completamente contaminada e colorida dessas coisas. as ideias longe de serem claras e distintas são de cores fortes e tendem à metamorfose bem como à fusão/indistinção], mas porque de fato a produção teórica feminista tem apresentado questões específicas e conceitos próprios para lidar com elas num fazer que arriscamos chamar de filosófico.

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