christine de pizan
Posted by alixe666 in Uncategorized on April 20, 2012
filosofia feminista
Posted by alixe666 in Uncategorized on May 26, 2010
estou lendo no momento um livro bem bacana de uma filósofa chamada alison stone que leciona na universidade de lancaster. o livro se chama an introduction to feminist philosophy e foi publicado pela polity press. já tinha lido, no ano passado, outro livro dessa mesma autora, o luce irigaray and the philosophy of sexual difference. a autora tem um estilo bem gostoso de ler e trabalha com autoras que eu gosto bastante, neste livro sobre irigaray ela faz um embate entre ela e judith butler muito bacana.
algumas coisas são bem interessantes nessa introdução a filosofia feminista:
1- ela pretende que o livro seja usado por estudantes querendo se iniciar no assunto, mas também por especialistas. e de fato, sua linguagem é acessível, didática e a autora tem um cuidado em explicar bem os argumentos e colocá-los a prova ao mesmo tempo a leitura não é massante para quem está inteirada da discussão, com uma minúcia e atenção peculiar às questões ela não apenas explora cantinhos esquecidos, mas não tem medo de fazer o exercício de colocar em questão certezas sedimentadas por um montão de teorias. em resumo: é uma leitura estimulante e acessível sem ser basicona demais.
2- ela propõe uma definição lindona para filosofia feminista como uma sub-disciplina dentro da filosofia. uma sub-disciplina que possui 3 aspectos centrais:
- investigar como os preconceitos sobre mulheres são incorporados na filosofia passada e presente;
- se apoiar em teorias e conceitos filosóficos para articular afirmações e posições políticas feministas, usando argumentos filosóficos para estabelecer que afirmações e posições são mais coerentes e fortes;
- introduzir na filosofia uma série de novos conceitos e temáticas que nenhum outro campo da filosofia propôs ou abrange. alguns desses conceitos, os que serão mais importantes no livro e receberão cada um um capítulo próprio, são: sexo e gênero, sexualidade, diferença sexual, essencialismo (que aparece em outros campos, porém de forma diferente) e nascimento.
eu fiquei super animada, porque por um tempo fiquei quebrando a cabeça sobre qual a relação possível entre filosofia e feminismos; a filosofia, que numa pegada antiga, talvez platônica, talvez cartesiana, se pretende desencarnada e o feminismo que só pode ser uma teoria da carne. e ai? o feminismo apareceria como uma crítica à filosofia? como uma revisão? como um fazer metafilosófico? como um fazer completamente alheio à filosofia? usaria a filosofia apenas como fonte de conceitos e argumentos aplicáveis as questões que lhes concernem? ou a produção teórica feminista pode de fato ser entendida como filosófica?
a resposta de stone, muito satisfatória para mim, parece ser: tudo-isso-ao-mesmo-tempo-agora.
dá pra ler a introdução do livro no site da universidade de lancaster
triscando de leve
Posted by alixe666 in Uncategorized on May 8, 2010
os feminismos triscam a filosofia.
se encontram, se esbarram…
os feminismos tomam de assalto conceitos filosóficos. usam e abusam deles, fielmente (tendo o cuidado de polí-los e fazê-los brilhar) ou do jeito que bem entendem, como se quisessem timidamente transforma-los em seus. também tomam de assalto as grandes questões dos filósofos e com isso questionam as pressuposições de universalidade ou as generalizações a cerca do que é a natureza do homem (toscamente tido como sinônimo de humanidade, num joguinho que toma por geral o específico). [mas também do que são os homens, do que é natural, do que é construído, dos limites entre essas duas coisas, do que são mulheres, de como nos tornamos mulheres, do que conta como humano, de quem pode falar pela humanidade, blá]
por isso os feminismos riscam a filosofia.
não só porque temos pilhas e mais pilhas de pasta solidificada de ex-árvores cobertas de tinta tóxica explorando críticas devidamente encorporadas a uma filosofia descarnada [temos (somos?) corpo e o corpo importa. mesmo quando queremos escondê-lo ou esquecê-lo o corpo aparece. nossas vontades, desejos, tendências, paixões também aparecem. e a filosofia que emerge vem completamente contaminada e colorida dessas coisas. as ideias longe de serem claras e distintas são de cores fortes e tendem à metamorfose bem como à fusão/indistinção], mas porque de fato a produção teórica feminista tem apresentado questões específicas e conceitos próprios para lidar com elas num fazer que arriscamos chamar de filosófico.